| Cerca de um quinto da superficie
do Tibete (23% mais precisamente) é ocupado pelas povoações.
As terras desérticas estéreis e rochosas, os lagos
e os rios.
O Tibete possui uma grande diversidade de paisagens relacionadas
precisamente com os diversos climas, altitudes e presença
ou ausência de vegetação. Assim estes elementos
são diferentes e contrastantes na região do alto planalto
anexo aos Himalaia, na esfera árida do norte no Changtang
ou na região tropical húmida de florestas do sudoeste,
ao longo das bacias do Tsangpo ou do Drichun, por exemplo.
Nas regiões planas (planálticas) parecem as pastagens
adequadas á criação de gado, cobrindo cerca
de 70% da superfície do Tibete, a maior parte no U-Tang e
no Amdo. Admite-se poderem aí viver 70 milhões de
animais, a uma altitude média superior a 4000 metros.
A paisagem com arvores aparece, em geral, até altitudes
de 3800 metros (a sul onde o clima é húmido) ou até
4300 metros (a norte onde o clima é semi-seco).
As florestas antes da ocupação chinesa cobriam cerca
de 9% da área do país. Uma desflorestação
para a obtenção de madeiras tem-se acentuado desde
então reduzindo francamente este valor. Não se conhece
a sua dimensão global, mas sabe-se. Por exemplo, que no Kham,
a leste, constituído no passado por uma superfície
coberta em 30% de florestas, hoje existem já, somente, 18%
(ou seja, perderam-se 40% das arvores da região!)
Desconhece-se a situação no U-Tsang, mas admite-se,
mesmo que os valores possam ainda ser relativamente mais elevados.
De facto, a construção de estradas e de infra-estruturas
florestais no Kham e no U-Tsang, durante os anos 80, permitiu mudanças
profundas na exploração florestal que é responsável
por estas elevadas perdas.
As terras cultiváveis do Tibete encontram-se, especialmente,
nos vales húmidos e irrigados do Kham – o baixo vale
do Tsangpo - nas encostas mais baixas do Machu no Amdo oriental,
constituindo 2% da superficie do país (5.8 milhões
de ha). No Utsang as terras cultiváveis ocupavam até
1991 uma extensão muito inferior e situam-se ao longo dos
rios Lassa, Yarlung, e Tsangpo, numa área total de apenas
0,21 milhões de há, ou seja, 3,6% da área cultivavel
do Kham. A partir daquela data (91) a agricultura expandiu-se no
U-Tsang quer a encostas, quer à região das pastagens
aumentando a área cultivavel regional para 0,36 da superfície
da província.
A cultura tradicional do Tibete é, por excelência,
a cevada. Com ela os tibetanos confeccionam o seu alimento principal,
a Tsampa (cevada torrada) comida com chá amanteigado. Hoje,
cada vez mais se cultiva, também o trigo. São outras
culturas importantes: o arroz, a ervilha, a colza e as forragens.
O clima do planalto é em geral seco continental severo,
com fortes ventos e baixa humidade e atmosfera rarefeita por razões
da altitude. Possui uma grande flutuação nas temperaturas
anual diária. O ar artico penetra pelo norte e os ares tropical
equatorial penetram através da barreira himaliana. O contraste
é enorme entre o aqueciemnto de verão e os invernos
gelados. No inverno o ar frio e seco do artico penetra no Tibete
saindo por este e sul. Existe pouca queda de neve mas muito frio.
Ocasionalmente aparecem tempestades ciclónicas que se movem
do mediterrâneo para leste, dando nestes períodos baixas
pressões e trazendo consigo neves para as cordilheiras.
No verão o aquecimento é causado pelo vento continental
seco e poeirento que cria baixas pressões e precipitação
das chuvas da monção no Sul da Ásia. A precipitação
do planalto é de verão e somente em certa sares. As
regiões ocidentais e a norte estão menos expostas
á influencia das monções do que as mais baixas
de sul e leste.
Nas montanhas do Kunlum a norte, aparecem fortes ventos, calor
seco e predominante clima de gelo com uma precipitação
media anual de 50-100 mn e uma temperatura flutuando entre 25-28ºC
( no sopé das montanhas a meio do verão) e os -9ºC
( no sopé a meio do inverno). Já nas encostas a temperatura
oscila entre um máximo de 10ºC ( em meados do verão)
-35ºC (em meados do inverno).
No Caracorum a Oeste, o Clima caracteriza-se por ar rarefeito,
intensa radiação solar e fortes ventos. A precipitação
é de 100mn/ano e confinada à alta altitude, as campos
de neve cima de 4900m, aos imensos glaciares, que se estendem pelas
encostas do Sul de 4700 a 2900 e nas encostas do norte de 5900 a
3500m.
No Changtung, a chuva cai baixo dos 1000m. A amplitude térmica
é de cerca de 45º, caindo entre os –15º á
noite e os 30º de dia. A neve evapora-se devido à secura;
os ventos excedem a velocidade de 72Km/h provocando tempestades
de poeira.
Para sul, nos Himalaias existem series de zonas climáticas
com variações consideráveis na temperatura.
A barreira da cordilheira constitui a passagem da corrente de ar
continental para sul, mas impede igualmente, a passagem de ar da
monção quente para norte, por via no lado sul a precipitação
varia d 1530 no Nepal a 3060 mn em certas partes do Butão.
Já nas encostas de Noroeste ( em torno d Ladakh) os máximos
caiem para 765 mesmo 153 mm e no Tibete para menos. A precipitação
de inverno é mais forte nos Himalaias ocidentais do que nos
orientais; mas o processo é invertido no verão quando
o leste está directamente exposto ás correntes da
monção para sudoeste.
Existem diferentes zonas climatéricas claramente definidas
nas encostas sul dos himalaias, que variam de climas sub-equatoriais
e tropicais nos sopés, aos níveis mais baixos, para
um clima de neve nos picos. As temperaturas variam sendo na pré-monção
em media 11ºC a 1945m e -8ºc a 5029m.
As gargantas do Tibete oriental esta mais expostas ao clima do
Sudoeste Asiático. Aqui demarca-se mais o contraste entre
os picos com as neves eternas, a zona temperada entre os 1829m e
os 3353m e o clima que prevalece por vales mais abaixo como os da
ponta mais a sul do Kham sujeitos a grande calor e alto nível
de humidade, com precipitações anuais de 510mm e fortes
quedas de neve no inverno nas terras altas das montanhas.
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