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O TIBETE: UMA APRESENTAÇÃO GERAL
  Por António Coelho Teixeira
POVOAÇÕES, CLIMA, SOLO E AGRICULTURA

Cerca de um quinto da superficie do Tibete (23% mais precisamente) é ocupado pelas povoações. As terras desérticas estéreis e rochosas, os lagos e os rios.

O Tibete possui uma grande diversidade de paisagens relacionadas precisamente com os diversos climas, altitudes e presença ou ausência de vegetação. Assim estes elementos são diferentes e contrastantes na região do alto planalto anexo aos Himalaia, na esfera árida do norte no Changtang ou na região tropical húmida de florestas do sudoeste, ao longo das bacias do Tsangpo ou do Drichun, por exemplo.

Nas regiões planas (planálticas) parecem as pastagens adequadas á criação de gado, cobrindo cerca de 70% da superfície do Tibete, a maior parte no U-Tang e no Amdo. Admite-se poderem aí viver 70 milhões de animais, a uma altitude média superior a 4000 metros.

A paisagem com arvores aparece, em geral, até altitudes de 3800 metros (a sul onde o clima é húmido) ou até 4300 metros (a norte onde o clima é semi-seco).

As florestas antes da ocupação chinesa cobriam cerca de 9% da área do país. Uma desflorestação para a obtenção de madeiras tem-se acentuado desde então reduzindo francamente este valor. Não se conhece a sua dimensão global, mas sabe-se. Por exemplo, que no Kham, a leste, constituído no passado por uma superfície coberta em 30% de florestas, hoje existem já, somente, 18% (ou seja, perderam-se 40% das arvores da região!)

Desconhece-se a situação no U-Tsang, mas admite-se, mesmo que os valores possam ainda ser relativamente mais elevados. De facto, a construção de estradas e de infra-estruturas florestais no Kham e no U-Tsang, durante os anos 80, permitiu mudanças profundas na exploração florestal que é responsável por estas elevadas perdas.

As terras cultiváveis do Tibete encontram-se, especialmente, nos vales húmidos e irrigados do Kham – o baixo vale do Tsangpo - nas encostas mais baixas do Machu no Amdo oriental, constituindo 2% da superficie do país (5.8 milhões de ha). No Utsang as terras cultiváveis ocupavam até 1991 uma extensão muito inferior e situam-se ao longo dos rios Lassa, Yarlung, e Tsangpo, numa área total de apenas 0,21 milhões de há, ou seja, 3,6% da área cultivavel do Kham. A partir daquela data (91) a agricultura expandiu-se no U-Tsang quer a encostas, quer à região das pastagens aumentando a área cultivavel regional para 0,36 da superfície da província.

A cultura tradicional do Tibete é, por excelência, a cevada. Com ela os tibetanos confeccionam o seu alimento principal, a Tsampa (cevada torrada) comida com chá amanteigado. Hoje, cada vez mais se cultiva, também o trigo. São outras culturas importantes: o arroz, a ervilha, a colza e as forragens.

O clima do planalto é em geral seco continental severo, com fortes ventos e baixa humidade e atmosfera rarefeita por razões da altitude. Possui uma grande flutuação nas temperaturas anual diária. O ar artico penetra pelo norte e os ares tropical equatorial penetram através da barreira himaliana. O contraste é enorme entre o aqueciemnto de verão e os invernos gelados. No inverno o ar frio e seco do artico penetra no Tibete saindo por este e sul. Existe pouca queda de neve mas muito frio.

Ocasionalmente aparecem tempestades ciclónicas que se movem do mediterrâneo para leste, dando nestes períodos baixas pressões e trazendo consigo neves para as cordilheiras.

No verão o aquecimento é causado pelo vento continental seco e poeirento que cria baixas pressões e precipitação das chuvas da monção no Sul da Ásia. A precipitação do planalto é de verão e somente em certa sares. As regiões ocidentais e a norte estão menos expostas á influencia das monções do que as mais baixas de sul e leste.

Nas montanhas do Kunlum a norte, aparecem fortes ventos, calor seco e predominante clima de gelo com uma precipitação media anual de 50-100 mn e uma temperatura flutuando entre 25-28ºC ( no sopé das montanhas a meio do verão) e os -9ºC ( no sopé a meio do inverno). Já nas encostas a temperatura oscila entre um máximo de 10ºC ( em meados do verão) -35ºC (em meados do inverno).

No Caracorum a Oeste, o Clima caracteriza-se por ar rarefeito, intensa radiação solar e fortes ventos. A precipitação é de 100mn/ano e confinada à alta altitude, as campos de neve cima de 4900m, aos imensos glaciares, que se estendem pelas encostas do Sul de 4700 a 2900 e nas encostas do norte de 5900 a 3500m.

No Changtung, a chuva cai baixo dos 1000m. A amplitude térmica é de cerca de 45º, caindo entre os –15º á noite e os 30º de dia. A neve evapora-se devido à secura; os ventos excedem a velocidade de 72Km/h provocando tempestades de poeira.

Para sul, nos Himalaias existem series de zonas climáticas com variações consideráveis na temperatura. A barreira da cordilheira constitui a passagem da corrente de ar continental para sul, mas impede igualmente, a passagem de ar da monção quente para norte, por via no lado sul a precipitação varia d 1530 no Nepal a 3060 mn em certas partes do Butão. Já nas encostas de Noroeste ( em torno d Ladakh) os máximos caiem para 765 mesmo 153 mm e no Tibete para menos. A precipitação de inverno é mais forte nos Himalaias ocidentais do que nos orientais; mas o processo é invertido no verão quando o leste está directamente exposto ás correntes da monção para sudoeste.

Existem diferentes zonas climatéricas claramente definidas nas encostas sul dos himalaias, que variam de climas sub-equatoriais e tropicais nos sopés, aos níveis mais baixos, para um clima de neve nos picos. As temperaturas variam sendo na pré-monção em media 11ºC a 1945m e -8ºc a 5029m.

As gargantas do Tibete oriental esta mais expostas ao clima do Sudoeste Asiático. Aqui demarca-se mais o contraste entre os picos com as neves eternas, a zona temperada entre os 1829m e os 3353m e o clima que prevalece por vales mais abaixo como os da ponta mais a sul do Kham sujeitos a grande calor e alto nível de humidade, com precipitações anuais de 510mm e fortes quedas de neve no inverno nas terras altas das montanhas.


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