Viagem ao Tibete
Início CCT - Songtsen : Viagem ao Tibete : Viagem ao Tibete - Outubro de 1999
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VIAGEM AO TIBETE
Por João Leite

Em Outubro de 1999, por ocasião do aniversário dos 50 anos da invasão do Tibete, fiz uma viagem ao Nepal/Tibete com o propósito de uma reportagem fotográfica. Não é necessário qualquer procedimento em Portugal para obter o visto para o Nepal já que o mesmo se obtém no aeroporto de Khatmandu (preparem-se para esperar, em pé, cerca de 1 ½ hora).

Fiquei uns dias no Nepal antes de voar para o Tibete, o suficiente para fazer aquelas visitas imprescindíveis: para além de Khatmandu, é obrigatório ir a Pachupatinah (local de cremação dos mortos) e a Baktapur. O visto para o Tibete não é fácil de obter se forem dois indivíduos, como era o caso, se for um grupo é bastante mais fácil. Tratar do visto em Portugal junto da Embaixada Chinesa facilita mas também limita as opções de programa a fazer no Tibete porque depois de definidas as datas os Chineses são muito rigorosos e inflexíveis.

Após várias tentativas obtivemos exactamente aquilo que queríamos: um bilhete de avião só com ida e um Jipe à nossa espera no aeroporto de Lhasa que nos trouxe de volta para Khatmandu. Lhasa está muito destruída, não encontrei a antiga Cidade Proibida de que falam os livros. É um local obrigatório mas está a perder o seu espírito. Foi violada pelas típicas lojas chinesas e por estradas enormes que transformaram a cidade num entreposto comercial brutal. O mais escandaloso é, sem dúvida, a monumental praça que construíram em frente ao Palácio Potala, que destruiu um lago lindíssimo que reflectia o Palácio e que lhe dava uma dimensão ainda maior. A praça é uma autêntica réplica da Praça de Tianamen com aqueles candeeiros gigantes a contornarem o que é uma autêntica via rápida, com carros a poluírem diariamente aquela que é talvez a 8ª maravilha do Mundo.

O percurso durou cerca de 1 semana, começou em Lhasa (3650 m), percorrendo a denominada "Friendship Highway", que liga a Capital do Tibete a Kodari (3200 m), junto à fronteira com o Nepal, atingindo o seu ponto mais alto a 5220 m.

Esta "auto-estrada" é um caminho de terra de 962km com um percurso muitas vezes imperceptível, obrigando o condutor a atravessar inúmeros rios e cascatas para tentar reencontrar o trilho. Mesmo nas zonas mais planas, a velocidade é sempre reduzida porque na mesma estrada, com espaço para apenas um veículo e ½, cruzam-se manadas de animais (que obrigam muitas vezes a paragens) e dezenas de camiões, os mesmos que nas zonas montanhosas limitam os socalcos sobre os precipícios.

Ao longo do trajecto, existem diversos tipos de paisagem e as diferenças de temperatura são evidentes durante as diversas fases da viagem. Ainda assim, em Outubro (7º em média) as oscilações não são tão violentas como no Inverno, quando as temperaturas médias variam entre os [-12º ;-32º]. Pior, é mesmo o vento que se levanta ao final da tarde e que transporta cortinas de frio que cortam os lábios e gelam todas as extremidades.

A partir dos 4000 metros a paisagem é muito agreste uma vez que as condições climatéricas são muito duras pois quase não chove e o vento é muito forte. Não fora o terreno acidentado e a imagem não seria muito diferente de um deserto estéril pois é muito árida e inóspita. Não há árvores , não há vida selvagem e, consequentemente, ocorrem cheias e a erosão do solo é catastrófica.


A estrada percorrida passa ainda por um dos muitos lagos azul-turquesa que povoam toda a região do Tibete (resultado do degelo das montanhas), o famoso Lamdruk ( 4480 m). No final da etapa o cenário é totalmente diferente, 1000 a 2000 metros de diferença de altitude é suficiente para se encontrar uma densa floresta com todo o tipo de vegetação.

É uma viagem a não perder.

 
 
Nota
Um contacto importante em Katmandu, que é depois ele mesmo uma rede infinita de contactos, o Mr Guiri (00 977 137 31 19). Desde vistos a carrinhas, carros, bilhetes de avião, enfim, tudo. É confiável mas convêm discutir sempre preços.
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