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PENSAMENTO DO MÊS DE FEVEREIRO, 2007
 
 

 

"Apesar de ter feito grandes avanços materiais neste planeta, a humanidade está perante muitos problemas, muitos mesmo, alguns dos quais foram por nós criados. A nossa atitude mental - a maneira como vemos a vida e o mundo - é, em grande medida, o factor-chave para o futuro, o futuro da humanidade, o futuro do mundo e o futuro do meio ambiente. São muitas as coisas que dependem da nossa atitude mental, quer na esféra pública quer na privada. É em grande parte da nossa responsabilidade sermos felizes na nossa vida individual ou familiar. Claro que as condições materiais são um factor importante para a felicidade e para uma vida agradável, mas a nossa atitude mental tem uma importante idêntica, se não maior.

À medida que nos aproximamos do século XXI, as tradições religiosas são mais relevantes do que nunca. Contudo, tal como no passado, continuam a surgir conflitos e crises em nome de diferentes tradições religiosas. Isto é muito triste, é uma grande infelicidade. Devemos fazer todos os esforços para ultrapassar esta situação. Na minha própria experiência, descobri que o método mais efectivo para ultrapassar estes conflitos é um contacto e um intercâmbio entre pessoas de várias crenças, não só ao nível intelectual mas também de profundas experiências espirituais. Este método tem grande poder para desenvolver uma compreensão e respeito mútuos. Através deste intercâmbio, pode ser criado um forte alicerce de genuína harmonia.

(...)Alguns de vós já me devem ter ouvido contar que ao visitar o grande mosteiro de Montserrat em Espanha, encontrei um monge beneditino. Ele tinha ido ali especialmente para me ver (...) depois do almoço passámos algum tempo juntos, frente a frente, e informaram-me que este monge tinha passado alguns anos nas montanhas que ficam por trás do mosteiro. Perguntei-lhe que tipo de contemplação tinha praticado nesses anos de solidão. A sua resposta foi simples. «Amor, Amor, Amor.» Que maravilha! Acho que às vezes ele também dormia. Mas durante todos esses anos tinha meditado simplesmente sobre o Amor e não tinha meditado sobre a simples palavra. Quando olhei nos seus olhos vi a prova do Amor e de uma profunda espiritualidade - tal como tinha visto nos meus encontros com Thomas Merton.

Estes encontros ajudaram-me a desenvolver uma reverência genuína pela tradição cristã e pela sua capacidade de criar pessoas de tamanha bondade. (...) Todas as principais religiões têm o potencial de o fazer. Quanto maior for o nosso cuidado ao olharmos para o valor e para a eficácia das outras tradições religiosas, maior será o nosso respeito e veneração por essas religiões do mundo."

 

S.S. XIV DALAI LAMA 
GYATSO, Tenzin, A Bondade do Coração, Porto, Asa editores, 2002, pg.81 e 82
 

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