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PENSAMENTO DO MÊS DE DEZEMBRO, 2006
 
 

 

Os meus amigos ocidentais frequentemente me perguntam pelo 
modo mais rápido, mais fácil, mais eficaz de praticar o Dharma!
Eu acho que encontrar esse modo é impossível! Talvez esse seja um 
sinal de falhanço!

Nós deviamos interiorizar que praticar o Dharma é algo que 
precisa de ser feito vinte e quatro horas por dia. É por isso que 
fazemos uma distinção entre as sessões de meditação e os períodos 
de pós-meditação, a ideia é que tanto durante as sessões meditativas 
como fora delas, deviamos estar completamente imersos na prática do
Dharma.

De facto, poderíamos dizer que os períodos do pós meditação são o 
verdadeiro teste à força da nossa prática. Durante a meditação formal, 
de um certo modo, estamos a regarregar as baterias, para que ao sair da
sessão estejamos melhor equipados para lidar com as exigências da 
nossa vida quotidiana. O motivo pelo qual carregamos uma bateria, é 
para fazer algo funcionar, não é?
Do mesmo modo, quando estiverem preparados através de qualquer das 
práticas em que estão envolvidos, como seres humano não conseguimos 
evitar as rotinas quotidianas da vida, e é durante este período que 
devem ser capazes de viver segundo os principios da vossa prática 
do Dharma.

Claro que numa fase inicial, como principiante, precisam de períodos
de meditação concentrada para termos uma base a partir da qual começar. 
Isto é certamente crucial. Mas uma vez estabelecida essa base, então 
serão capazes de pelo menos viver de acordo com os príncipios do 
Dharma. Assim todos estes pontos indicam a importância de nos esforçarmos.
Sem algum esforço, não há maneira de integrar os princípios do Dharma
nas nossas vidas. Para um praticante sério, é necessário o esforço ainda
mais autêntico. Apenas algumas orações, algumas recitações de textos e
algumas recitações de mantras com um Mala (rosário)não são suficientes. 
Porque não? Porque estes não são capazes de transformar as nossas mentes.
As nossas emoções negativas são tão poderosas que é necessário um 
esforço constante para as contrariar. Se praticarmos constantemente, 
então nós conseguiremos mudar definitivamente!
S.S. XIV DALAI LAMA 
GYATSO, Tenzin, The Four Noble Truths, New Delhi, Harper Collins , 1998, pp.30-32
Livro elaborado a partir de uma série de ensinamentos sobre o pensamento e prática budista 
dados por sua Santidade o Dalai Lama, em 1996, no Barbican Centre, Londres.

Tradução de A.R., Songsten - Casa da Cultura do Tibete.
 
  S. S. o XIV Dalai Lama