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A cultura tibetana tem uma história milenar forjada desde
primitivos grupos humanos remontando, quiçá, à
antiga mais remota idade da pedra, passando por antigas culturas
neolíticas, nomeadamente a dos construtores de megálitos.
Antes do séc. II a.C. o Tibete não conheceu qualquer
tipo de unificação, sendo então constituído
por pequenos reinos e principados feudais, povos nómadas
e algumas facções guerreiras dispersas.
A sua unificação veio a iniciar-se pelos finais do
séc. II a.C. aquando do surgimento da sua primeira dinastia
real - a dinastia Yarlung também conhecida por Chogyal e
que só por si iria envolver cerca de quatro dezenas de reis
e estendeu-se até ao séc. IX.
A partir do séc. VII essa cultura iria sofrer modificações
profundas com a introdução sucessiva do budismo, dado
o significativo impacto ético e espiritual. Tão profundo
foi esse impacto que as características básicas civilizacionais
tibetanas mantiveram-se até aos nossos dias, malgrado a invasão
chinesa de 1959 e a tentativa - ainda continuada na actualidade
- da sua destruição, através da tentativa da
politização e de sincretização em larga
escala, com a introdução de padrões culturais
estranhos e forçados da cultura chinesa.
A cultura tibetana sobrevive, porém, hoje, não só
no Tibete, mas, para além deste, principalmente, na Índia,
no Nepal, no Butão, na Europa e nos Estados Unidos e o seu
significado cultural e espiritual tem demonstrado, particularmente
nos últimos trinta anos, a sua importância para a aculturação
globalizante que se opera nos nossos dias à escala planetária.
Porém, esta cultura invulgar corre riscos significativos
de sobrevivência futura e na sua divulgação
e no seu auxílio está a razão de ser de associações
culturais como a portuguesa Songtsen - Casa da Cultura do Tibete.
Uma singularidade nos une, a nós portugueses, cultural e
historicamente ao Tibete: o termos sido os primeiros ocidentais
a contactar com essa civilização. Aquilo a que costumamos
chamar "descobrimento", ou seja, a revelação,
em particular, ao mundo ocidental, da existência dessa cultura.
Depois o termos-lhe atribuído o nome (ocidental, diga-se)
pelo qual veio a ser largamente conhecido, depois de outras adaptações
ligeiras, a inglesa e a francesa.
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