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Início CCT - Songtsen : História e Cultura : O Descobrimento Português do Tibete no séc. XVII
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O DESCOBRIMENTO PORTUGUÊS DO TIBETE NO SÉC. XVII
O Padre António de Andrade e a primeira viagem ao Tibete em 1624
A divulgação da descoberta através da Europa
A permanência da missão cristã no Tibete
Por António Coelho Teixeira

Descobrimento Português 2/3Pág.1/4

As Primeiras Informações no ocidente sobre o Tibete

É sabido que o veneziano Marco Polo, no séc. XIII, viajara através da Ásia e estivera na corte de Kubilai Khan; parece ter sido o primeiro a dar algumas informações ouvidas de mercadores acerca do Tibete.

Pensou-se, durante muito tempo, que Frei Odorico de Pordenone - um religioso franciscano que viajou através da Ásia no séc. XIV (1318-1330) - tivesse sido o primeiro europeu a visitar o Tibete (que designara por Riboth). O Dr. Laufer, que estudou atentamente a sua descrição, chegou à conclusão de que ele não atravessou o Tibete e que ele não esteve em Lhassa (a que chamava Gata) como previamente se acreditou .

Durante mais de duzentos e cinquenta anos (desde meados do séc. XIV até ao final do séc. XVI) nenhumas notícias aparecem, acerca do Tibete, nos escritos ocidentais.

Os portugueses descobriram, como se sabe, o caminho marítimo da Europa para a Índia, no final do séc. XV (Vasco da Gama, 1948) e estabeleceram-se em diversos lugares, nomeadamente em Goa.

No começo do séc. XVII, mais precisamente em 1603, o português Diogo de Almeida revelou, em Goa, que tinha vivido no Tibete durante dois anos (Frei António Gouveia da Ordem de Santo Agostinho, no seu livro intitulado "Jornada do Arcebispo de Goa D. Frei Aleixo de Menezes, Primaz da Índia Oriental, religioso da Ordem de Santo Agostinho" impresso em Coimbra, em 1606, menciona a informação de Diogo de Almeida na presença do Arcebispo). A referência alude a um "Reino do Tibete para além do Guixumir onde nenhuma pessoa infiel é permitida a menos que passe por um mercador" e que ele tinha "nele muitas igrejas ricamente ornadas com retábulos e imagens de Nosso Senhor, de Nossa Senhora e dos Santos Apóstolos…" que tinha "muitos padres que guardam continência, como os nossos, e que são como os nossos na maneira de vestir, excepto de que eles são completamente calvos; eles têm um bispo a que eles chamam "Lambão" e, actualmente, ele é considerado um ser santo".

Esperou-se, depois, que o Irmão Bento de Goes que tinha partido com vista a alcançar este Reino, pudesse trazer a confirmação da sua existência e mais detalhes acerca da vida do seu povo. Contudo, Bento de Goes não foi capaz de alcançar o Tibete. As dificuldades devidas à neve foram tais que ele foi obrigado a voltar para trás.

Entretanto - no inicio do séc. XVII - os muçulmanos cachemires, que tinham por hábito ir comercializar para os países vizinhos da Índia, asseguravam que o Grade Tibete "estava repleto de cristãos, devido à semelhança que havia entre os seus templos e as igrejas cristãs".

Esta era a informação disponível em Agra, na Corte do Rei Mogol, onde estava a missão jesuítica à qual o Padre António de Andrade pertencia.

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