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É sabido que o veneziano Marco Polo, no séc. XIII,
viajara através da Ásia e estivera na corte de Kubilai
Khan; parece ter sido o primeiro a dar algumas informações
ouvidas de mercadores acerca do Tibete.
Pensou-se, durante muito tempo, que Frei Odorico de Pordenone -
um religioso franciscano que viajou através da Ásia
no séc. XIV (1318-1330) - tivesse sido o primeiro europeu
a visitar o Tibete (que designara por Riboth). O Dr. Laufer, que
estudou atentamente a sua descrição, chegou à
conclusão de que ele não atravessou o Tibete e que
ele não esteve em Lhassa (a que chamava Gata) como previamente
se acreditou .
Durante mais de duzentos e cinquenta anos (desde meados do séc.
XIV até ao final do séc. XVI) nenhumas notícias
aparecem, acerca do Tibete, nos escritos ocidentais.
Os portugueses descobriram, como se sabe, o caminho marítimo
da Europa para a Índia, no final do séc. XV (Vasco
da Gama, 1948) e estabeleceram-se em diversos lugares, nomeadamente
em Goa.
No começo do séc. XVII, mais precisamente em 1603,
o português Diogo de Almeida revelou, em Goa, que tinha vivido
no Tibete durante dois anos (Frei António Gouveia da Ordem
de Santo Agostinho, no seu livro intitulado "Jornada do Arcebispo
de Goa D. Frei Aleixo de Menezes, Primaz da Índia Oriental,
religioso da Ordem de Santo Agostinho" impresso em Coimbra,
em 1606, menciona a informação de Diogo de Almeida
na presença do Arcebispo). A referência alude a um
"Reino do Tibete para além do Guixumir onde nenhuma
pessoa infiel é permitida a menos que passe por um mercador"
e que ele tinha "nele muitas igrejas ricamente ornadas com
retábulos e imagens de Nosso Senhor, de Nossa Senhora e dos
Santos Apóstolos
" que tinha "muitos padres
que guardam continência, como os nossos, e que são
como os nossos na maneira de vestir, excepto de que eles são
completamente calvos; eles têm um bispo a que eles chamam
"Lambão" e, actualmente, ele é considerado
um ser santo".
Esperou-se, depois, que o Irmão Bento de Goes que tinha
partido com vista a alcançar este Reino, pudesse trazer a
confirmação da sua existência e mais detalhes
acerca da vida do seu povo. Contudo, Bento de Goes não foi
capaz de alcançar o Tibete. As dificuldades devidas à
neve foram tais que ele foi obrigado a voltar para trás.
Entretanto - no inicio do séc. XVII - os muçulmanos
cachemires, que tinham por hábito ir comercializar para os
países vizinhos da Índia, asseguravam que o Grade
Tibete "estava repleto de cristãos, devido à
semelhança que havia entre os seus templos e as igrejas cristãs".
Esta era a informação disponível em Agra,
na Corte do Rei Mogol, onde estava a missão jesuítica
à qual o Padre António de Andrade pertencia.
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