O Estatuto do Tibete
Início CCT - Songtsen : O Estatuto do Tibete : Breve Descrição da Invasão
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DALAI LAMA LISBOA 2007


RECUPERAR A AUTONOMIA PELA NÃO VIOLÊNCIA
A PERDA DA AUTONOMIA Pág. 2/2

Apesar do estatuto de região autónoma, o Tibete enfrenta todas estas situações que, na realidade, o reduzem a um território não autónomo. O capítulo XI da Carta das Nações Unidas designado "Declaração relativa aos territórios não autónomos" dispõe nos termos do seu artigo 73º que os membros das N. U. se comprometem a assegurar, nesses territórios, o respeito pela cultura, a sua protecção contra abusos, a capacidade de governo próprio, o desenvolvimento científico e económico, a construção da paz. Numa palavra, promover a sua autonomia. No entanto esse dispositivo faz escassas referências à fiscalização efectiva, pelos órgãos das Nações Unidas. Por isso, e apesar das condenações das organizações humanitárias, no Tibete os activistas pró - independência foram alvo de prisões arbitrárias e muitos foram torturados. Detidos por empunharem a bandeira tibetana, por distribuir panfletos ou por possuir material sobre o Dalai-Lama. De acordo com os relatórios da Amnistia Internacional, entre 1987 e 1989, centenas de manifestantes tibetanos foram vítimas do abuso de poder das autoridades chinesas. A tortura ainda é largamente utilizada como método de interrogatório e castigo, sobretudo nos prisioneiros políticos.

O décimo quarto Dalai-Lama recebeu em 1989 o prémio Nobel da Paz em reconhecimento pela sua dedicação à causa da libertação do seu país por meios não violentos. O líder espiritual fala, com tristeza, da devastação dos mosteiros, da destruição das obras de arte, do desrespeito pela religião e pelo modo de vida pacífico dos tibetanos. Não procura culpar ninguém da situação no seu país e percebe a complexa teia política que impede a comunidade internacional de tomar uma posição mais dura face a um país como a China. O que impede então a comunidade internacional de actuar de forma veemente à luz dos seus valores face à violação chinesa dos Direitos Humanos ? Não há diálogo entre a República Popular da China e as organizações internacionais dos Direitos Humanos oficiais e não oficiais. O governo chinês e os seus líderes recusam-se sistematicamente a reunir com a Amnistia Internacional para debater assuntos relacionados com os Direitos Humanos. As autoridades chinesas consideram estas reuniões uma intromissão nos assuntos internos do seu país.

Os Tibetanos mantêm intacto o orgulho que sentem pela sua cultura e continuam a lutar pacificamente pela sua autodeterminação, seguindo o seu líder, Tenzin Gyatso (Dalai-Lama). Apesar da inflexibilidade chinesa em abandonar o território, apesar da repressão de que são alvo, o povo do Himalaia vai continuar a difundir a sua mensagem de amor e harmonia entre as nações, que só poderá concretizar-se com muito esforço e perseverança !

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