|
Apesar do estatuto de região autónoma, o Tibete enfrenta
todas estas situações que, na realidade, o reduzem
a um território não autónomo. O capítulo
XI da Carta das Nações Unidas designado "Declaração
relativa aos territórios não autónomos"
dispõe nos termos do seu artigo 73º que os membros das
N. U. se comprometem a assegurar, nesses territórios, o respeito
pela cultura, a sua protecção contra abusos, a capacidade
de governo próprio, o desenvolvimento científico e
económico, a construção da paz. Numa palavra,
promover a sua autonomia. No entanto esse dispositivo faz escassas
referências à fiscalização efectiva,
pelos órgãos das Nações Unidas. Por
isso, e apesar das condenações das organizações
humanitárias, no Tibete os activistas pró - independência
foram alvo de prisões arbitrárias e muitos foram torturados.
Detidos por empunharem a bandeira tibetana, por distribuir panfletos
ou por possuir material sobre o Dalai-Lama. De acordo com os relatórios
da Amnistia Internacional, entre 1987 e 1989, centenas de manifestantes
tibetanos foram vítimas do abuso de poder das autoridades
chinesas. A tortura ainda é largamente utilizada como método
de interrogatório e castigo, sobretudo nos prisioneiros políticos.
O décimo quarto Dalai-Lama recebeu em 1989 o prémio
Nobel da Paz em reconhecimento pela sua dedicação
à causa da libertação do seu país por
meios não violentos. O líder espiritual fala, com
tristeza, da devastação dos mosteiros, da destruição
das obras de arte, do desrespeito pela religião e pelo modo
de vida pacífico dos tibetanos. Não procura culpar
ninguém da situação no seu país e percebe
a complexa teia política que impede a comunidade internacional
de tomar uma posição mais dura face a um país
como a China. O que impede então a comunidade internacional
de actuar de forma veemente à luz dos seus valores face à
violação chinesa dos Direitos Humanos ? Não
há diálogo entre a República Popular da China
e as organizações internacionais dos Direitos Humanos
oficiais e não oficiais. O governo chinês e os seus
líderes recusam-se sistematicamente a reunir com a Amnistia
Internacional para debater assuntos relacionados com os Direitos
Humanos. As autoridades chinesas consideram estas reuniões
uma intromissão nos assuntos internos do seu país.
Os Tibetanos mantêm intacto o orgulho que sentem pela sua
cultura e continuam a lutar pacificamente pela sua autodeterminação,
seguindo o seu líder, Tenzin Gyatso (Dalai-Lama). Apesar
da inflexibilidade chinesa em abandonar o território, apesar
da repressão de que são alvo, o povo do Himalaia vai
continuar a difundir a sua mensagem de amor e harmonia entre as
nações, que só poderá concretizar-se
com muito esforço e perseverança !
|