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Algumas lendas descrevem as remotas origens dos povos tibetanos.
O que de mais interessante existe nessas lendas é o surgimento
nelas daquilo a que chamamos hoje pré-hominídeos,
nomeadamente envolvendo um cruzamento com um macaco. Sabendo nós
que a teoria de Darwin, da evolução das espécies,
é bem recente em termos históricos, já que
data do séc. XIX, e a evolução humana admitindo
como partindo de um eventual ramal símio, ainda está
longe de estar completamente esclarecida, não deixa de ser
extraordinário o verificar-se a existência de tradições
multi-seculares, senão milenares mesmo, no Tibete, apontando
para uma tal origem dos tibetanos.
Em termos meramente arqueológicos, tudo aponta para que
o Tibete tenha sido habitado por seres humanos ao longo de toda
a Idade da Pedra lascada, nesse período indefinido que se
estende desde há cerca de dois milhões de anos atrás
até há mais ou menos dez mil anos.
Apesar de não sistemáticas, as escavações
efectuadas no Tibete permitiram encontrar pedras lascadas, raspadores
de pedra, furadores, facas e machados em diversos lugares (Ku Kushili,
Dingri, Xião Chaili) datados de há cerca de 33 mil
anos.
Como noutros lugares do planeta, a humanidade primitiva habitou
o Tibete, também, em cavernas, encontradas um pouco por todo
o lado do seu território (Kongpo, Powo, Yamdrok, Lhartse,
etc.).
No que se refere a períodos mais recentes, como os de há
dez mil anos atrás, foram encontradas lâminas lascadas,
por exemplo, em Nyalam e Chamdo, que revelaram uma cultura de povos
caçadores.
Mais recentes ainda - ou seja, remontando há cerca de 5500
anos - são os restos de povoações agrícolas
neolíticas que se espalharam, pelo menos, pelas regiões
orientais, como a de Goru, ao Norte de Chamdo. Tratam-se de povoações
cujos povos construíram as clássicas habitações
de dois andares, com rés-do-chão servindo de celeiro
e de estábulo e o primeiro andar de habitação
humana. Foram, igualmente, encontrados artefactos dessa época,
de pedra, de cerâmica e de osso (agulhas).
A cultura megalítica aparece, também, manifestada
no Tibete em diversos lugares, tais como, Reting, Sakya, Shab Geding
e Chi'n. Esta cultura tem sido geralmente associada a uma faixa
temporal situada entre há 5000 anos e 3000 anos atrás.
Os peritos designam-na, genericamente, por cultura pré-indogermânica-mediterrânica
e verifica-se que ela se estendeu um pouco por todo o planeta da
Europa Ocidental até ao Sudoeste Asiático. Nela aparecem,
por vezes, filas de pedras paralelas verticais e círculos
finais, como é o caso de Pang-gong.
Admite-se, hoje, que o yaque - o boi peludo típico destas
regiões, que se viria a transformar no animal tradicional
de carga e transporte de particular importância na cultura
tibetana - tenha sido domesticado por volta de 2500 anos a.C. O
cavalo e a ovelha, por exemplo, só posteriormente se lhe
teriam juntado numa contribuição definitiva de animais
domesticados de significativo relevo no desenvolvimento desta civilização.
É costume associar a estas culturas as divindades maternais
e da natureza, realçando o mistério da maternidade
e da mulher, como o da generalidade das forças visíveis
e invisíveis operantes na natureza. Como sucede nos menires
e dólmenes tão divulgados no Ocidente, nomeadamente
em Portugal, a expressão da polaridade sexual encontra-se
nesses testemunhos bem manifesta pelo que, não deveria ter
sido excepção nas culturas dessas longínquas
e inóspitas paragens.
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