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Início CCT - Songtsen : História e Cultura : A História do Tibete : Lenda e Arqueologia
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A HISTÓRIA DO TIBETE
A História do Tibete: IntroduçãoOs primeiros Clãs e as Tribos ChiangPág.2/5
Lenda e Arqueologia

Algumas lendas descrevem as remotas origens dos povos tibetanos. O que de mais interessante existe nessas lendas é o surgimento nelas daquilo a que chamamos hoje pré-hominídeos, nomeadamente envolvendo um cruzamento com um macaco. Sabendo nós que a teoria de Darwin, da evolução das espécies, é bem recente em termos históricos, já que data do séc. XIX, e a evolução humana admitindo como partindo de um eventual ramal símio, ainda está longe de estar completamente esclarecida, não deixa de ser extraordinário o verificar-se a existência de tradições multi-seculares, senão milenares mesmo, no Tibete, apontando para uma tal origem dos tibetanos.

Em termos meramente arqueológicos, tudo aponta para que o Tibete tenha sido habitado por seres humanos ao longo de toda a Idade da Pedra lascada, nesse período indefinido que se estende desde há cerca de dois milhões de anos atrás até há mais ou menos dez mil anos.

Apesar de não sistemáticas, as escavações efectuadas no Tibete permitiram encontrar pedras lascadas, raspadores de pedra, furadores, facas e machados em diversos lugares (Ku Kushili, Dingri, Xião Chaili) datados de há cerca de 33 mil anos.

Como noutros lugares do planeta, a humanidade primitiva habitou o Tibete, também, em cavernas, encontradas um pouco por todo o lado do seu território (Kongpo, Powo, Yamdrok, Lhartse, etc.).

No que se refere a períodos mais recentes, como os de há dez mil anos atrás, foram encontradas lâminas lascadas, por exemplo, em Nyalam e Chamdo, que revelaram uma cultura de povos caçadores.

Mais recentes ainda - ou seja, remontando há cerca de 5500 anos - são os restos de povoações agrícolas neolíticas que se espalharam, pelo menos, pelas regiões orientais, como a de Goru, ao Norte de Chamdo. Tratam-se de povoações cujos povos construíram as clássicas habitações de dois andares, com rés-do-chão servindo de celeiro e de estábulo e o primeiro andar de habitação humana. Foram, igualmente, encontrados artefactos dessa época, de pedra, de cerâmica e de osso (agulhas).

A cultura megalítica aparece, também, manifestada no Tibete em diversos lugares, tais como, Reting, Sakya, Shab Geding e Chi'n. Esta cultura tem sido geralmente associada a uma faixa temporal situada entre há 5000 anos e 3000 anos atrás. Os peritos designam-na, genericamente, por cultura pré-indogermânica-mediterrânica e verifica-se que ela se estendeu um pouco por todo o planeta da Europa Ocidental até ao Sudoeste Asiático. Nela aparecem, por vezes, filas de pedras paralelas verticais e círculos finais, como é o caso de Pang-gong.

Admite-se, hoje, que o yaque - o boi peludo típico destas regiões, que se viria a transformar no animal tradicional de carga e transporte de particular importância na cultura tibetana - tenha sido domesticado por volta de 2500 anos a.C. O cavalo e a ovelha, por exemplo, só posteriormente se lhe teriam juntado numa contribuição definitiva de animais domesticados de significativo relevo no desenvolvimento desta civilização.

É costume associar a estas culturas as divindades maternais e da natureza, realçando o mistério da maternidade e da mulher, como o da generalidade das forças visíveis e invisíveis operantes na natureza. Como sucede nos menires e dólmenes tão divulgados no Ocidente, nomeadamente em Portugal, a expressão da polaridade sexual encontra-se nesses testemunhos bem manifesta pelo que, não deveria ter sido excepção nas culturas dessas longínquas e inóspitas paragens.

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