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DALAI LAMA LISBOA 2007


 
A HISTÓRIA DO TIBETE
A dinastia Yarlung ou ChogyalPág.5/5
As administrações do séc.XIII ao séc.XX

A partir do sec. XIII diferentes administrações se sucederam no Tibete com hierarquias relacionadas com diferentes escolas budistas tais como a Sakyapa, a Drigungpa, a Kagyupa e, finalmente, a Gelugpa à cabeça da qual se estabeleceu, até aos nossos dias, uma sucessão de catorze Dalai-Lamas.

A Administração Sakyapa estendeu-se de 1235 a 1349; a Administração Phakmodrupa governou de 1350 a 1435. Seguiram-se as Administrações Ring-pung de 1478 a 1565 e a Tsangpo de 1565 a 1642. Foi no final deste último período que os portugueses descobriram o Tibete e revelaram a existência desta cultura ao mundo ocidental, uma vez que o Padre António de Andrade alcançou, em 1624, Tsaparang no Gugue, seguido, depois, por Estêvão Cacela e João Cabral no Utsang até Shigatsé.

A partir de 1642 e até 1959 decorrera o período Depa Zhung que esteve no poder, em Lhassa, dez Dalai-Lamas (ou seja, do V ao XIV Dalai Lama, o actual)

A manutenção dos chefes das referidas Ordens no poder deveu-se, particularmente, ao suporte dos imperadores mongóis, reconhecidos pelas relações e pela orientação espiritual desses lamas.

De salientar, entre os príncipes e imperadores mongóis, Godan Khan, Kubilai Khan, Altan Khan, Arsalang e Gushri Khan.

A capital do Tibete, também ela, se deslocaria, durante estas administrações, de Sakya para Nedong, depois para Shigatsé e, finalmente, para Lhassa.

Pormenorizando um pouco estes sete séculos de História do Tibete, a partir do sec. XIII, de igual forma a outros povos asiáticos, os tibetanos, depararam com um novo fenómeno militar, de origem mongólica. As ordens de Gengis Khan (1189-1227) atravessavam a Ásia com os seus cavaleiros indomáveis e uma forte estratégia militar.

Em 1206 os mongóis alcançaram o Tibete e ofereceram a soberania a Sakya.

O reino Tangut é aniquilado em 1227 e os tibetanos decidiram acomodar-se às aspirações mongóis. Em 1240 o exercito mongol, comandado pelo general Dorta Nakpo, saqueou Reting e outros mosteiros do Norte o que levou Sakya Pandita (1182 - 1251) a encontrar-se, em 1244, com Guyuyg e Godan, filho e neto de Gengis Khan. Godan aceitou o abade do mosteiro Sakya como seu preceptor espiritual e investiu-o com a autoridade temporal do Tibete.

Em 1253 Kubilai Khan oferece, de novo, a honraria ao seu preceptor Drogon Chogyel Phakpa que se tornou no mais poderoso governante tibetano após a dinastia Yarlung.

Os lamas Sakya transformaram-se, desta forma, na primeira linhagem de verdadeiros sacerdotes-reis do Tibete e passaram a governá-lo durante 96 anos. Esta relação com os Khans de "padre-sacerdote-patrono" (Cho-yon) transformou-se num conceito fundamental na politica destas regiões da Ásia. A disciplina espiritual e a ética seria ensinada ao povo mongol, até aí bastante bárbaro. Em troca, haveria não só a autoridade temporal nas mãos dos próprios tibetanos, como haveria a protecção do seu território em caso de perigo. Desta forma, se bem que integrado no Império Mongol, o Tibete nunca foi directamente administrado pelos Khans.

Kubilai Khan tornou-se o governador supremo das tribos mongóis e, em 1279, invadiu a China tornando-se imperador e estabelecendo a Dinastia Yuan - os primeiros governantes não-chineses da China - que se iria estender até 1368. A Phagpa atribuiu o titulo de Tisri ou preceptor imperial que passou a permanecer em Dadu, a capital imperial (Beijing). A partir daí, os grandes lamas Sakya tornaram-se, não só, nos governadores do Tibete, mas também em pontífices supremos do império mongol, que incluía a China. Phagpa estruturou uma escrita para a língua mongol, com base na escrita tibetana, o que iria facilitar a comunicação oficial nesse vasto império asiático. As decisões administrativas no Tibete ficaram a cargo do administrador ou Ponchen.

Nem a escola Sakya nem as seguintes iriam deter a total autoridade sobre o planalto tibetano como no tempo dos reis Yarlung, já que confederações tribais ou reinos remotos sempre se iriam manter independentes.

Em meados do séc. XIV, Chang-Chug Gyaltsen, de Phatkmodrupa, um dos governantes dos lamas Sakya, revolta-se e termina com a hegemonia Sakya e a subserviência ao domínio mongol. Tal sucedeu dada a queda, que já se manifestava, do poder mongol. Chang-Chub estabeleceu uma regra secular capaz de levar o Tibete ao seu primitivo estatuto. Isto veio a ser confirmado pelos reis Ring Pung que vieram a reger o Tibete de 1498 a 1565 e pelos três reis Tsangpa que detiveram o trono no período de 1566 a 1641.

O Quinto Grande Dalai Lama, Ngawang Lobzang Gyatso, em 1642, com o apoio dos seus patronos mongóis, assume, então, a supremacia temporal do Tibete e estabelece o governo de Gaden Phodrang. O Tibete continua as relações já estabelecidas com a China, durante a Dinastia Manchu dos Ch'ing (1644-1911), que nunca foram de vassalagem.

De referir que o titulo Dalai Lama (Oceano de Sabedoria) fora atribuído pela primeira vez a Sonan Gyatso (1543-1588), de facto, ao terceiro Dalai Lama, por Althan Khan, quando aquele, após se ter deslocado à Mongólia, se transformou em preceptor imperial do Rei. O primeiro Dalai-Lama, Gedun Drupa, nascido em 1931, discípulo do Lama Tsong Khapa, o fundador da ordem Gelupga.

Em 1720, a armada Ch'ing entra em Lhassa para afastar os mongóis, aproveitando-se, depois, para reorganizar a administração tibetana com uma certa "supervisão" imperial. Em 1728, o imperador passou a designar dois dignitários, chamados Ambans para o representar em Lhassa. Apesar de terem uma certa autoridade, estavam submetidos ao governo do Dalai-Lama.

O imperador Chianlong enviou tropas para Lhassa para expulsar os invasores nepaleses em 1729 e a sua influência dificultou a independência tibetana. Porém, com a sua morte, em 1795, do imperador, o Tibete recuperou um pouco mais da sua liberdade.

Em 1911, a dinastia Ch'ing sucumbe e a 1ª República Chinesa é proclamada, seguindo-se 18 anos de instabilidade na China, período que o Tibete aproveita para reclamar a sua independência em relação aos Manchus (com o XIII Dalai-Lama, Tubten Gyatso, em 1913). De 1913 a 1950 o Tibete, de facto, demonstrou a sua existência como Estado Independente, reconhecido através de documentos oficiais dos países com os quais manteve relações. S.S. Tenzin Gyatso, o XIV e actual Dalai-Lama, nasceu a 6 de Julho de 1935 e foi entronizado em 1940.

A China comunista invade o Tibete em 1949. Mao Tse Tung envia 80.000 soldados para o ocupar. O governo tibetano requer, ao ainda jovem Dalai-Lama, em 1950, para assumir a responsabilidade politica do país. Em 1951, os tibetanos são obrigados a admitir a soberania da China através de um acordo em 17 pontos, que prometia, em troca, ser respeitado um largo grau de autonomia. Tal promessa depressa foi traída. A violação de tal acordo pela China provocou motins por todo o país.

Em Março de 1959 Lhassa subleva-se e S.S. o Dalai-Lama vê-se obrigado a fugir para a Índia, seguindo-o 85.000 tibetanos que se iriam exilar na Índia, no Nepal e no Butão.

Com a Resolução Cultural (1966-76) uma terrível opressão abate-se sobre o povo tibetano, seguida de detenções e execuções atrozes. Centenas de milhar de tibetanos são mortos, deportados ou levados para campos de trabalho. Outros suicidam-se ou são vitimas de fome. Cerca de 6.000 palácios e templos são destruídos e pilhados. Desses, apenas uma centena acabou reconstruído. Porem, desde então, a colonização chinesa e a opressão do povo tibetano têm continuado até aos nossos dias. Houve uma pequena dose de tolerância após a morte de Mao, em 1976, inclusive para com a religião. Mas os motins anti-chineses reanimaram-se de 1987 a 1989, fazendo centenas de vitimas.

Em 1989, S.S. o Dalai Lama recebeu, em Dezembro, o Prémio Nobel da Paz e o Tibete, de há muito esquecido, torna à cena politica através dos contactos de Sua Santidade com chefes políticos de quase todos os países. Porem, a sincretização do Tibete torna-se rápida e a civilização tibetana arrisca-se, de facto, a vir a desaparecer, já que é minoritária no Tibete.

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