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A partir do sec. XIII diferentes administrações se
sucederam no Tibete com hierarquias relacionadas com diferentes
escolas budistas tais como a Sakyapa, a Drigungpa, a Kagyupa e,
finalmente, a Gelugpa à cabeça da qual se estabeleceu,
até aos nossos dias, uma sucessão de catorze Dalai-Lamas.
A Administração Sakyapa estendeu-se de 1235 a 1349;
a Administração Phakmodrupa governou de 1350 a 1435.
Seguiram-se as Administrações Ring-pung de 1478 a
1565 e a Tsangpo de 1565 a 1642. Foi no final deste último
período que os portugueses descobriram o Tibete e revelaram
a existência desta cultura ao mundo ocidental, uma vez que
o Padre António de Andrade alcançou, em 1624, Tsaparang
no Gugue, seguido, depois, por Estêvão Cacela e João
Cabral no Utsang até Shigatsé.
A partir de 1642 e até 1959 decorrera o período Depa
Zhung que esteve no poder, em Lhassa, dez Dalai-Lamas (ou seja,
do V ao XIV Dalai Lama, o actual)
A manutenção dos chefes das referidas Ordens no poder
deveu-se, particularmente, ao suporte dos imperadores mongóis,
reconhecidos pelas relações e pela orientação
espiritual desses lamas.
De salientar, entre os príncipes e imperadores mongóis,
Godan Khan, Kubilai Khan, Altan Khan, Arsalang e Gushri Khan.
A capital do Tibete, também ela, se deslocaria, durante
estas administrações, de Sakya para Nedong, depois
para Shigatsé e, finalmente, para Lhassa.
Pormenorizando um pouco estes sete séculos de História
do Tibete, a partir do sec. XIII, de igual forma a outros povos
asiáticos, os tibetanos, depararam com um novo fenómeno
militar, de origem mongólica. As ordens de Gengis Khan (1189-1227)
atravessavam a Ásia com os seus cavaleiros indomáveis
e uma forte estratégia militar.
Em 1206 os mongóis alcançaram o Tibete e ofereceram
a soberania a Sakya.
O reino Tangut é aniquilado em 1227 e os tibetanos decidiram
acomodar-se às aspirações mongóis. Em
1240 o exercito mongol, comandado pelo general Dorta Nakpo, saqueou
Reting e outros mosteiros do Norte o que levou Sakya Pandita (1182
- 1251) a encontrar-se, em 1244, com Guyuyg e Godan, filho e neto
de Gengis Khan. Godan aceitou o abade do mosteiro Sakya como seu
preceptor espiritual e investiu-o com a autoridade temporal do Tibete.
Em 1253 Kubilai Khan oferece, de novo, a honraria ao seu preceptor
Drogon Chogyel Phakpa que se tornou no mais poderoso governante
tibetano após a dinastia Yarlung.
Os lamas Sakya transformaram-se, desta forma, na primeira linhagem
de verdadeiros sacerdotes-reis do Tibete e passaram a governá-lo
durante 96 anos. Esta relação com os Khans de "padre-sacerdote-patrono"
(Cho-yon) transformou-se num conceito fundamental na politica destas
regiões da Ásia. A disciplina espiritual e a ética
seria ensinada ao povo mongol, até aí bastante bárbaro.
Em troca, haveria não só a autoridade temporal nas
mãos dos próprios tibetanos, como haveria a protecção
do seu território em caso de perigo. Desta forma, se bem
que integrado no Império Mongol, o Tibete nunca foi directamente
administrado pelos Khans.
Kubilai Khan tornou-se o governador supremo das tribos mongóis
e, em 1279, invadiu a China tornando-se imperador e estabelecendo
a Dinastia Yuan - os primeiros governantes não-chineses da
China - que se iria estender até 1368. A Phagpa atribuiu
o titulo de Tisri ou preceptor imperial que passou a permanecer
em Dadu, a capital imperial (Beijing). A partir daí, os grandes
lamas Sakya tornaram-se, não só, nos governadores
do Tibete, mas também em pontífices supremos do império
mongol, que incluía a China. Phagpa estruturou uma escrita
para a língua mongol, com base na escrita tibetana, o que
iria facilitar a comunicação oficial nesse vasto império
asiático. As decisões administrativas no Tibete ficaram
a cargo do administrador ou Ponchen.
Nem a escola Sakya nem as seguintes iriam deter a total autoridade
sobre o planalto tibetano como no tempo dos reis Yarlung, já
que confederações tribais ou reinos remotos sempre
se iriam manter independentes.
Em meados do séc. XIV, Chang-Chug Gyaltsen, de Phatkmodrupa,
um dos governantes dos lamas Sakya, revolta-se e termina com a hegemonia
Sakya e a subserviência ao domínio mongol. Tal sucedeu
dada a queda, que já se manifestava, do poder mongol. Chang-Chub
estabeleceu uma regra secular capaz de levar o Tibete ao seu primitivo
estatuto. Isto veio a ser confirmado pelos reis Ring Pung que vieram
a reger o Tibete de 1498 a 1565 e pelos três reis Tsangpa
que detiveram o trono no período de 1566 a 1641.
O Quinto Grande Dalai Lama, Ngawang Lobzang Gyatso, em 1642, com
o apoio dos seus patronos mongóis, assume, então,
a supremacia temporal do Tibete e estabelece o governo de Gaden
Phodrang. O Tibete continua as relações já
estabelecidas com a China, durante a Dinastia Manchu dos Ch'ing
(1644-1911), que nunca foram de vassalagem.
De referir que o titulo Dalai Lama (Oceano de Sabedoria) fora atribuído
pela primeira vez a Sonan Gyatso (1543-1588), de facto, ao terceiro
Dalai Lama, por Althan Khan, quando aquele, após se ter deslocado
à Mongólia, se transformou em preceptor imperial do
Rei. O primeiro Dalai-Lama, Gedun Drupa, nascido em 1931, discípulo
do Lama Tsong Khapa, o fundador da ordem Gelupga.
Em 1720, a armada Ch'ing entra em Lhassa para afastar os mongóis,
aproveitando-se, depois, para reorganizar a administração
tibetana com uma certa "supervisão" imperial. Em
1728, o imperador passou a designar dois dignitários, chamados
Ambans para o representar em Lhassa. Apesar de terem uma certa autoridade,
estavam submetidos ao governo do Dalai-Lama.
O imperador Chianlong enviou tropas para Lhassa para expulsar os
invasores nepaleses em 1729 e a sua influência dificultou
a independência tibetana. Porém, com a sua morte, em
1795, do imperador, o Tibete recuperou um pouco mais da sua liberdade.
Em 1911, a dinastia Ch'ing sucumbe e a 1ª República
Chinesa é proclamada, seguindo-se 18 anos de instabilidade
na China, período que o Tibete aproveita para reclamar a
sua independência em relação aos Manchus (com
o XIII Dalai-Lama, Tubten Gyatso, em 1913). De 1913 a 1950 o Tibete,
de facto, demonstrou a sua existência como Estado Independente,
reconhecido através de documentos oficiais dos países
com os quais manteve relações. S.S. Tenzin Gyatso,
o XIV e actual Dalai-Lama, nasceu a 6 de Julho de 1935 e foi entronizado
em 1940.
A China comunista invade o Tibete em 1949. Mao Tse Tung envia 80.000
soldados para o ocupar. O governo tibetano requer, ao ainda jovem
Dalai-Lama, em 1950, para assumir a responsabilidade politica do
país. Em 1951, os tibetanos são obrigados a admitir
a soberania da China através de um acordo em 17 pontos, que
prometia, em troca, ser respeitado um largo grau de autonomia. Tal
promessa depressa foi traída. A violação de
tal acordo pela China provocou motins por todo o país.
Em Março de 1959 Lhassa subleva-se e S.S. o Dalai-Lama vê-se
obrigado a fugir para a Índia, seguindo-o 85.000 tibetanos
que se iriam exilar na Índia, no Nepal e no Butão.
Com a Resolução Cultural (1966-76) uma terrível
opressão abate-se sobre o povo tibetano, seguida de detenções
e execuções atrozes. Centenas de milhar de tibetanos
são mortos, deportados ou levados para campos de trabalho.
Outros suicidam-se ou são vitimas de fome. Cerca de 6.000
palácios e templos são destruídos e pilhados.
Desses, apenas uma centena acabou reconstruído. Porem, desde
então, a colonização chinesa e a opressão
do povo tibetano têm continuado até aos nossos dias.
Houve uma pequena dose de tolerância após a morte de
Mao, em 1976, inclusive para com a religião. Mas os motins
anti-chineses reanimaram-se de 1987 a 1989, fazendo centenas de
vitimas.
Em 1989, S.S. o Dalai Lama recebeu, em Dezembro, o Prémio
Nobel da Paz e o Tibete, de há muito esquecido, torna à
cena politica através dos contactos de Sua Santidade com
chefes políticos de quase todos os países. Porem,
a sincretização do Tibete torna-se rápida e
a civilização tibetana arrisca-se, de facto, a vir
a desaparecer, já que é minoritária no Tibete.
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