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Não se sabe exactamente quanto tempo António de Andrade
permaneceu no Tibete. No ano de 1627 sabe-se que ele vivia lá,
porque há três cartas que foram escritas de Chaparangue
nesse mesmo ano (de 2 de Fevereiro, de 29 de Agosto e de 2 de Outubro).
Pode admitir-se que ele tivesse ficado lá um ou dois anos.
Contudo, em 1630 é sabido que ele estava já a viver
em Goa, onde era, então já, o Provincial da Companhia
de Jesus na Índia. Nessas suas novas funções
enviou, em 1631, quatro religiosos para a missão no Tibete
que havia fundado (como descreve na sua carta de Goa, datada de
4 de Fevereiro de 1633).
Após realizar a sua função de Provincial,
tornou-se o Director do Colégio de Goa, mas tanto quanto
é sabido, sempre manteve o desejo de regressar ao Tibete.
Quando se preparava para partir, com seis outros religiosos, morre
a 19 de Março de 1634, suspeitando-se que tenha sido envenenado.
Pouco se conhece acerca dessa missão. Sabe-se, contudo,
que os jesuítas foram obrigados a deixar a parte ocidental
do país. O Padre Estêvão Cacela chegou a Gagatse
onde foi bem recebido e após a sua morte foi substituído
pelo Padre João Cabral. Há relatos que dizem que este
último foi forçado a partir para Leh, como resultado
de uma revolução política que se dera.
Após o Rei do Ladak ter aprisionado o Rei de Chaparangue,
bem como a sua família, ordenou que todos os cristãos
(cerca de 400) deixassem a região e fossem para Leh.
É sabido que, em 1642, o Irmão Manuel Marques ainda
se encontra em Chaparangue mesmo embora seja incerto se ele lá
permanecera, continuamente, desde 1625 (ou seja, durante 17 anos).
A partir de 1625 todas as notícias da missão cristã
no Tibete pararam. Admite-se que ela se tenha extinguido de vida
à falta de religiosos e também devido à rigorosa
perseguição a que foram submetidos, talvez derivado
do seu absurdo convencionismo de que a religião que seguiam
era superior ao Budismo e devido ao seu proselitismo, característica
bem conhecida das missões cristãs.
De uma coisa estamos certos, os portugueses foram, uma vez mais,
os responsáveis, pela primeira vez, pela revelação
ao mundo do Tibete, como haviam feito com a descoberta do Caminho
Marítimo para a Índia ou a descrição
do Japão, por exemplo.
Portugal tem estado a comemorar os 500 anos dos seus descobrimentos
marítimos. Um pequeno povo que foi capaz revelar os oceanos
do oriente até ao Continente Americano. Porém, não
foi só um povo de aventuras marítimas. Foi, igualmente,
de desbravação e descobrimento terrestre, quer através
do Continente sul-americano (Brasil) ou da Ásia Central,
como demonstra esta demanda do Cathayo, que chegou a ser vista como
profetizada por Isaías e realizada "nos tempos do fim",
como julgados há 375 anos atrás, por 16 principais
jesuítas que, durante 25 anos, mantiveram estreitos contactos
com o Tibete e não fora o seu aparelho religioso e as "dificuldades"
da época, e teriam sido os fundadores da tibetologia actual.
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