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Início CCT - Songtsen : História e Cultura : O Descobrimento Português do Tibete no séc. XVII
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DALAI LAMA LISBOA 2007


 
O DESCOBRIMENTO PORTUGUÊS DO TIBETE NO SÉC. XVII
Descobrimento Português 2/4Descobrimento Português 4/4Pág.3/4
A divulgação da descoberta através da Europa

Este foi o primeiro contacto que o Ocidente teve com o Tibete. A sua primeira carta, intitulada "Novo Descobrimento do Gram Cathayo ou Reinos do Tibete, pelo Padre António de Andrade da Companhia de Jesus, português, no ano de 1624" datada de 8 de Novembro de 1624, foi dirigida, de Agra, ao provincial André Palmeiro e publicada, depois, em Lisboa, por Mateus Pinheiro, em 1626.

Há cópias deste raro documento de 16 páginas: uma encontra-se na Biblioteca Nacional de Lisboa e outra no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, para além de uma cópia desta carta, feita na Índia que se encontra, presentemente, na Biblioteca da Ajuda.

A divulgação da existência destes reinos através da Europa foi bastante rápida. Assim, no mesmo ano da publicação em Lisboa, a carta foi traduzida para espanhol e no ano seguinte para italiano e francês; dois anos depois para polaco e cinco anos mais tarde para flamengo (holandês). Isto significa que logo após a chegada de António de Andrade ao Tibete, a informação da "descoberta" fora traduzida em cinco línguas, cobrindo grande parte da Europa. Tão ampla divulgação parece ter sido duma verdadeira procura do novo "descobrimento" tão importante para Portugal nessa altura.

Porém, a divulgação que se continuou a dar nas suas cartas seguintes continuava a ser imperfeita, por diversas razões, particularmente pelos interesses envolvidos. Houve, de facto, um "choque" inter-religioso não previsto por António de Andrade, daí o ter ocultado, não só a figura de Buda - central na religião que contactara - como de algumas imagens que lhe não era conveniente explicitar, nomeadamente, as simbólicas de várias cabeças e braços já que pouco tinham a ver com a tradição cristã e seriam difíceis de entender na cultura ocidental da época.

Cabe aqui dizer que os jesuítas portugueses julgavam, inicialmente, ir encontrar reinos cristãos perdidos, com um cristianismo eventualmente exótico e degenerado, por influências diversas, mas, particularmente, por falta de contactos com o cristianismo ocidental, visto como genuíno. Em vez disso, depararam com uma religião extremamente organizada, simbólica e diferente da dos gentios, conhecida na Índia. Por certo - e para terem um mínimo de conhecimento quer da língua quer dos textos sagrados dessa religião se tornava urgente compreender para eventualmente corrigir os "desvios" - teriam de se submeter à aprendizagem com os mestres (lamas) tibetanos. Ora, isso era impossível de ser descrito por carta e muito mais para depois vir a ser divulgado pela Europa Cristã, num período tão difícil quanto o inquisitorial da época.

António de Andrade, cumprindo a promessa (que diz ter feito) ao Rei de Chaparangue, realizou uma segunda viagem, acompanhado pelo Padre Gonçalo de Sousa e o Irmão Manuel Marques. Deixaram Agra a 17 de Junho de 1625 e uma vez que tomavam um caminho mais curto, chegaram àquela cidade do Tibete a 28 de Agosto, ou seja, gastando somente dois meses e meio de viagem. Contudo as dificuldades da segunda viagem não parecem ter sido menores do que as da primeira. Numa segunda carta, datada de 15 de Agosto de 1626, dirigida ao Padre Maurício Vilellesschi, Geral da Companhia de Jesus, ele descreve a recepção que teve na Corte e os trabalhos preparatórios para o estabelecimento da missão, como a construção do edifício da primeira igreja em Chaparangue.

Em alguns destes capítulos desta carta, ele descreve vários aspectos da recepção, da terra e da sua cultura, nomeadamente religiosa, tais como: "a entrada que fizemos nestas terras", "a qualidade das terras do Tibete e a diversidade de Reinos que lá existiam", "vários costumes dos Lamas" claro que à sua própria maneira e com a ênfase, distorção ou promoção de imagens que se sabe, hoje, ter existido, surgida de pontos de vista divergentes, apesar das similitudes que notara mas nem sempre soubera compreender, das analogias por vezes despropositadas, mas que de facto buscava, devido a, como dissemos, ter julgado (senão feito crer que julgou) tratar-se dessa religião (o hoje chamado budismo mas que nessa altura não tinha qualquer nome destes, pois tal termo é um neologismo do século passado) uma forma de cristianismo adulterado.

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