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António de Andrade nasceu na vila de Oleiros, no distrito
de Castelo Branco (Portugal) em 1581. Ainda noviço, partira
para a Índia, a 22 de Abril de 1600, acompanhado de dezoito
padres e irmãos da Companhia de Jesus no mesmo barco onde
viajava o Vice-Rei Aires de Saldanha e que chegou a Cochim a 22
de Outubro do mesmo ano.
Após ter completado os estudos dos padres da mesma Companhia,
No Colégio de São Paulo em Goa, recebeu as ordens
sagradas e foi enviado depois para a missão Mogol em Agra,
onde se julga que aprendeu a língua persa com os muçulmanos
cachemires como era, aliás, costume.
A 30 de Março de 1624, já como Superior da Missão
do Mogol, deixa Agra acompanhado por Jahangin, o Rei Mogol que viajava
para o Lahore. Quando Chegou a Delhi, encontrou um grande número
de budistas que rumavam para um fabuloso templo, dado pelo nome
de Badré, e situado a quarenta dias de viagem da Índia,
entre a Índia e o Tibete, incluso no deserto. Esperando atingir
o Tibete após alcançar este templo, António
de Andrade, conjuntamente com o seu Irmão Manuel Marques,
começaram a sua via, conduzidos pelos "gentios".
A viagem que empreendeu levá-lo-ia de Agra a Chaparangue
, no Tibete, passando por Delhi, Srinagar, Badrinath, Mana e Mana
Pass. Para segurança levara um astrolábio e um compasso
do sol que lhe permitiu mais tarde vir a referir que Chaparangue
se situava a 31º29' norte.
Durante esta viagem - que durou cerca de três meses - encontrou,
contudo, muitíssimas dificuldades; permaneceu, depois, perto
de um mês no Tibete, mais precisamente 23 dias, e regressou
depois tendo gasto sete meses até chegar, de novo, a Agra.
As dificuldades que teve para ultrapassar nesta expedição
deveram-se não somente às passagens estreitas, mas
também à agressividade do clima (a neve e as baixas
temperaturas), à falta de alimentos, como às dificuldades
impostas pelo Rajá de Srinagar, por não serem eles
mercadores. Quando alcançou Chaparangue, a principal cidade
de Coqué (Gugue), um dos Reinos do Tibete, ele contactou
directamente com o seu Rei (Gyalpo).
A recepção preparada pelo Rei foi descrita como bastante
boa, uma vez que ele teria pensado tratar-se de mercadores; porém,
quando ele compreendeu que eles não traziam quaisquer mercadorias,
recebeu-os, de inicio, com alguma indiferença. Contudo, depois,
prestou-lhes mais atenção e arranjou um tradutor,
um muçulmano do Caxemira que, aliás, causou alguns
problemas a António de Andrade. O Rei parece ter mostrado
mesmo interesse para com a religião cristã e acabou
por autorizar não somente o retorno dos padres, como lhes
prometeu permitir o estabelecimento de uma missão em Chaparangue,
no ano seguinte.
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